Qual é o futuro da mulher na indústria cinematográfica?
![]() |
| Alice Guy Blaché, pioneira do cinema feminino francês. (Crédito: Divulgação) |
Quem lembra da frase impactante de Natalie Portman ao anunciar os indicados como melhor direção no Globo de Ouro de 2018? "E esses são todos os indicados masculinos." O rápido - e singelo - manifesto da atriz contra o baixo número de mulheres em cargos de chefia na indústria cinematográfica levantou a poeira sobre a questão.
No relatório Gender Bias Without Borders de 2018, que analisa a produção cinematográfica feminina nos 11 países mais ricos do mundo, mostrou que, nos Estados Unidos, 0% das produções analisadas pela pesquisa foram dirigidas por mulheres, 11,8% foram roteirizadas por elas e 30,2% produzidas. Para os pesquisadores, o que indica esse baixo número é a crescente do gênero de ação, que costuma ter menos mulheres com a mão na massa.
Apesar dos números serem chocantes, no cenário nacional não é muito diferente. Em uma pesquisa realizada pela Agência Nacional do Cinema (ANCINE) em 2016, dos 142 longas brasileiros lançados comercialmente, apenas 19,7% foram dirigidos por mulheres disputando contra 75,4% dirigidos por homens brancos. O cenário é caótico.
Uma curiosidade: na mesma pesquisa do Gender Bias Without Borders, é possível comparar a porcentagem de mulheres que trabalham na vida real e a que trabalham no mundo do cinema. O resultado não é surpreendente.
![]() |
| (Crédito: Gender Bias Without Borders) |
"Não tem muita diferença. Acho que lá (EUA), as barrerias da indústria sejam mais difíceis de quebrar. Eu viajei para São Francisco e lá nem parece EUA. Eles são um ponto fora da curva. As questões de gênero, orientação sexual e outras são muito bem resolvidas. Então, tem uma maior valorização da produção feminina, LGBT, negra porque é uma cidade que pensa além e que entende a importância disso. Então, em termos de mobilização, as coisas estão iguais e, em termos de desigualdade, também. O que muda de um lugar para o outro é uma questão de infraestrutura que vai mais da relação do país com o próprio cinema", explicou.
![]() |
| Bruna Amorim na exibição do seu filme 'Touch' no Festival de Cannes 2019. (Crédito: Divulgação Instagram) |
A visão sobre o futuro da indústria feminina nacional é positiva para Bruna. Apesar da diferença entre homens e mulheres ser gritante, ela acredita que estamos caminhando para algo melhor.
"A gente tem conquistado presença feminina na indústria cinematográfica. É lógico que a quantidade de mulheres no cinema ainda não se equipara com a quantidade de homens porque ainda é uma indústria muito machista, mas os números têm crescido. Só que a gente precisa ser muito atento a esses números: 'tem crescido em quais áreas?'. Normalmente, as áreas de produção e direção de arte têm uma maior presença feminina por precisarem de mais organização e por dizerem que 'as mulheres são mais organizadas'. Mas os postos de poder e de chefia, continuam com os homens. A nossa luta é ir contra isso, mostrar que as mulheres têm muito a dizer. Eu enxergo um grande futuro para as mulheres no cinema. Não há nada que eu enxergue tanto quanto isso", contou ela.
Ao ser questionada sobre o que fazer para mudar essa estrutura, Bruna acredita que devemos começar incentivando as meninas desde pequena e mostrar para elas que é possível trabalhar no audiovisual e em posições importantes.
"Representatividade é a palavra-chave. Eu preciso ver que é possível. Não tem como eu persistir no meu sonho se eu não vislumbrar a menor possibilidade disso acontecer. Então, ter uma mulher fazendo cinema, ter uma mulher ganhando prêmios, tendo sua história contada, você olha para aquilo e diz: 'eu posso'. Isso só vai acontecer se incentivarmos cada vez mais as mulheres. Tem que ter uma questão além da representatividade, é muito importante ter políticas públicas voltadas para a arte, para além de ser voltado para mulheres. Tem que incentivar desde criancinha. Na faculdade, eu só fui ver um filme dirigido por mulher, no sexto período. Em seis períodos, nenhum filme tinha sido exibido. Mostrar essas mulheres lá é extremamente importante e tem que dar instruções para as meninas desenvolverem suas habilidades no audiovisual", destacou.
Estamos torcendo para a indústria cinematográfica abrir mais portar para as mulheres e para que tenhamos mais e mais voz.





Ótima matéria!
ResponderExcluirUma excelente matéria
ResponderExcluirExcelente!!!
ResponderExcluirMuito boa matéria!! Lutemos por mais mulheres na indústria cinematográfica!! Têm muito a contar!!
ResponderExcluirExcelente matéria!!!
ResponderExcluirBoa matéria. Força mulheres!
ResponderExcluirMatéria ótima!
ResponderExcluirMatéria excelente e muito bem escrita!!
ResponderExcluir